Paolo Mantegazza, "Quadri della natura umana - Feste ed ebbrezze", 1871, 2 voll., Milano, Bernardoni Edit.
[Vol. I, pag. 53]


CAPITOLO II.


Una corrida d'escolhidos finos, optimos e bravissimos quinze touros nella Praça do Campo de Sant'Anna in Lisbona.


Era il 28 luglio, ed io, sbarcato dall'Estremadura in viaggio per il Brasile, era disceso a Lisbona per riposarvi un giorno dal tempellamento e dalle noie di una lunga navigazione. Aveva veduto Lisbona altre volte, ma non l'aveva mai trovata così bella: tanto il cielo brillava d'una trasparenza profondissima, tanto era dotato quel zaffiro che rendeva fin trasparenti le case, i palazzi, le piante; ogni cosa. I marmi del gran monumento di re Giovanni I e della splendida piazza di Pedro II, erano rosei, quasi fossero infocati; il Tago e il mare non lontano erano più azzurri del cielo, e intorno ai fantastici merli della torre di Belen pareva che l'aria non vi fosse, tanto i contorni eran chiari e traslucenti; sicchè l'occhio e il dito parevano vedere e toccare in una volta sola, scambiandosi le diverse funzioni del senso.
[54] Nei paesi caldissirni e asciutti, quando non v'ha nebbia alcuna sull'orizzonte, pare che qualche volta l'aria scompaia, e in luogo suo non rimanga che la luce; ma una quintessenza di luce purissima e penetrantissima, che fa sembrar vicine anche le cose più lontane e imbeve uomini e cose, e monti e erbe, rendendo tutto trasparente e lucido come il diamante. L'aria però c'era ancora e si muoveva, e quando, spinta da un buffo marino Un po' più gagliardo, veniva ad accarezzarmi il volto, io sentiva che era calda ed asciutta, e invece di snervarmi mi solleticava; ed io l'andava inspirando profondamente e con sensuale compiacenza. Chi ha molto viaggiato in paesi ardenti sa per lunga esperienza come vi sia un caldo molle che fiacca e un caldo che eccita e ravviva; come vi sia un caldo di bolgia infernale e un caldo di paradiso; ed era di questo che si respirava a Lisbona in quel giorno d'estate.
Gettatomi a zonzo per le vie, mi diede subito nell'occhio un grande, un mostruoso cartellone, nel quale si faceva avvertito il magnanimo, apreciavel e sublime publico della encantadora Lisboa che appunto in quel giorno, alle cinque pomeridiane, nella Praça do Campo de Sant'Anna, si darebbe em beneficio do cavalleiro Diogo Henriques Bittencourt, uma das mais interessantes corridas d'escolhidos, finos, optimos e bravissimos 15 touros. L'edizione in foglio era impastata sulle colonne, sui muri delle case, in ogni parte; mentre una più modesta in ottavo si andava distribuendo ai passeggeri; ed io qui la ristampo testualmente, come [55] prezioso documento per la psicologia comparata delle razze umane, come un vero quadro vivente della natura.

1861 O AVISADOR LISBONENSE N.° 18
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PRAÇA DO CAMPO DE SANT'ANNA
EMPRESARIO - FRANCISCO RODRIGUES ALEGRIA
Domingo 28 de Juliho

Preparae-vos illustres lisbonenses,
P'ra podêrdes com gosto admirar,
Uma tourada em tudo magnifica,
Que longo tempo se farà lombrar!

Os touros são de raças muito finas,
Que os artistas melhores hão-de correr,
O fausto do espectaculo primoroso,
Tudo em fim quanto póde dar prazer!

Do grato Bittencourt em beneficio,
O producto reverte da funcção
O qual espera d'amadores e publico,
Ao cavalleiro prestem protecção.

Em beneficio do cavalleiro Diogo Henriques Bittencourt

Para plausivel e recreativo passatempo dos amadores da tauromachia, e magnanimo, apreciavel e sublime publico da encantadora Lisboa, ha-de executar-se na sobredita praça, uma das mais interessantes coorridas d'escolhidos, finos, optimos e bravissimos
15 TOUROS
Hoje propriedade do conhecido lavrador, assaz opulento e abastado Illm.° Sr. Josè Ferreira Roquete, [56] e que outr'ora pertenceram ás finas e apuradas raças que possuem a Exm.a Sr.a viuva D. Rita Seabra, e os Illm.os Srs. João Pinheiro, José Elias Bittencourt e o mesmo lavrador proprietario, quo se lembrou d'apresentar este mixto, para que possam apurar-se ainda mais, se é possivel, as futuras descendencias dos mesmos, os quaes o mesmo curioso entendido lavrador e criador está convencido pelo que tem mostrado no campo, hão-de desempenhar o conceito, que elle, o seu abogão e criados d'elles fazem; deixando os intelligentes espectadores por tal forma enthusiasmados que ao admiral-os dirão:

Quem possue de finas raças tão bom gado,
Merece com justiça ser louvado!!!
São touros tãm furiosos
Que tres kilometros distantes,
Farejam os viajantes,
A quem buscam investir!
Ahogão, môços e guardas,
Quando lhes dà a veneta,
Pampilho, torrão, jaqueta,
De tudo os mesmos zombando,
Vão o campo semeando,
Los que não podem fugir!

Ha tal que indo tão cégo,
Em perseguir um campino,
De furor perdendo o tino,
N'um choupo foi esbarrar!
Tão forte foi a pancada,
Que recuou vinte passos,
A arvore ficou pedaços,
De tal forma pequenitos,
Só poderarn p'ra palitos,
De fosforos aproveitar!
[57]
Ora dizei lisbonenses,
Com toda a vossa franqueza,
De taes bichos a belleza,
Não merece vista ser?!
Parece que geralmente, A todos ouvindo estamos,
Póde contar não faltamos,
Pois gostosos o dinheiro, Daremos ao cavalleiro,
Em premio deste prazer!

Delicadissimos amadores, e intelligente publico lisbonense, o beneficiado está tanto no costume de receber os vossos obsequios, que seria indesculpavel se un momento duvidasse, hem que hoje que directamente busca o vosso favor, este lhe fosse negado; e por isso desde já vos tributa os mais puros votos d'agradecimento, estima e dedicação.

Toma parte nesta corrida o cavalleiro EVARISTO DA HORTA BRANCO que generosa e gratuitamente se offereceu no beneficiado, ao qual o mesmo lhe tributa os maiores agradecimentos.

0 espectaculo que o beneficiado planeou o para convidar a vossa concorrencia, julga por todos os principios deve merecer não só a mesma, mas tambem o vosso geral aprêço, por que e digno de tão ilustrados e benemeritos espectadores, como podereis convencer-vos, pelo que passa a annunciar.
A'S 5 HORAS DA TARDE - Logo que na competente tribuna se apresente o Illm.° e muito digno Sr. Inspector da praça, entrará o desestrado Neto, que depois de fazer o seu simples mas attencioso comprimento ao nobre poblico, retirando-se, mu[58]dando d'orça, voltando rapido á praga, e recebendo do attencioso Magistrado as ordens, fará que entre na mesma o habil e estimado cavalleiro
DIOGO HENRIQUEZ BITTENCOURT
beneficiado
O qual acompanhado d'un vistoso cortejo composto dos seguintes e peritos artistas, Joven SANCHO, JOSE' CADETE, VICENTE ROBERTO, seu irmão ROBERTO DA FONSECA, PEIXINHO e MANOEL CADETE; bem como do valente, e audacioso corpo d'homens de forcado, fará com o maior esmero e pericia as venias do estylo aos dignissimos espectadores, e findas estas, retirando-se para se preparar para o combate, voltará depois ao circo logo que fôr chamado e procurará caprichosamente desempenhar o mesmo na parte que se destina como vae especialisar-se
Neste resumo assaz minucioso,
Do combate sublime e primoroso!

Primeira parte.

1.° Touro - para ser farpeado pelo cavalleiro beneficiado.
2.° Touro - para ser bandarilhado pelos capinhas Cadete e Peixinho.
3.° Touro - para os capinhas irmãos Robertos bandarilharem.
4.° Touro - para ser pelo capinha Sancho bandarilhado.
5.° Touro - para ser pelo cavalleiro Diogo farpeado.
6.° Touro - para bandarilharem os capinhas Cadete e seu filho.
[59] 7.° Touro - Este está destinado, para depois de se lhe fazerem os aranjos necessarios levando uma sella, nelle montar o destimido heroe de longas pernas, inventôr das exquesitas gambadas celleberrirrio Galamba, e assim farpear o seguinte:
8.° Touro - para ser farpeado por Galamba, montado como fica annunciado n'outro dito, desejando mostrar nesta desusada façanha, que é homem d'uma audacia, não á prova de bomba, mas de grandes rufos que tem levado dados pelos embravecidos bichos. Se Jupiter montou n'um toiuro, quando projectou roubar a linda Europa e foi feliz na tentativa, elle posto que não seja uma divindade fabulosa, como não projecta roubar ninguem, está persuadido que se desempenhar, como espera, tão atrevida tentativa, será bem compensado.
Intervalo d'um quarto d'ora para geral descanço, que será deliciosamente prehenchido, tocando a banda marcial dos alumnos cégos da real casa-pia de Lisboa, uma brilhante e recreativa peça de muzica. Findo que seja o dito espaço de tempo, continuarà assim o divertimento, entrando o cavalleiro
EVARISTO DA HORTA BRANCO
que fará as cortezias d'etiqueta ao publieo, e depois voltará a desempenhar a parte que lhe tocano combate, como vae mencionar-se:

Segunda parte.

9.° Touro - para ser pelo cavalleiro Evaristo farpeado.
[6O] 10.° Touro - para ser bandarilhado pelo capinha Sancho.
11.° Touro - para os capinhas irmãos Robertos bandarilharem.
12.° Touro - para os capinhas Cadete e Peirinho bandarilharem.
13.° Touro - para o cavalleiro Evaristo farpear.
14.° Touro - para bandarilharern os capinhas irmãos Robertos.
15.° Touro - para ser bandarilhado pelos capinhas Peixinho e Cadete filho.
Com este e as ultimas cortezias feitas pelo beneficiado, findará o brillante espectaculo.
Para melhor regularidade do espectaculo as manobras da praça serão annunciadas a toque de clarim.
Durante o mesmo a banda marcial acima mencionada, tocará mimosas peças de muzica.
Os cavalleiros não se propõem a tomar duellos, por não ser estylo havel-os em touros farpeados.
Os touros que precisarem ser passados à capa, será isto executado pelo capinha Sancho.
Os homens de forcado farão as pegas que o intelligente lhes determinar. - Os touros dos cavalleiros, que precisarem levar bandarilhas, deverão pôr as mesmas Cadete e Vicente Roberto ou outro qualquer capinha que o intelligente designar. - Nos touros dos cavalleiros andarão semper na praça duas capas, para lhe chamarem os touros á sorte. - As farpas aos cavalleiros serão ministradas pelos capinhas; assim como estes são obrigados a ir buscar as bandarilhas ao local em que estão [61] depositadas, pois aos andarilhos só compete o limar a praça das farpas quebradas.
A embolacão ha-de começar as 10 horas de manhã, não é publica, mas as pessoas que se apresentarem com bilhetes para a corrida da tarde, tem entrada na praça para a disfructarem.
0 resto dos camarotes e bilhetes estão desde já á venda na Rua Nova do Almada, loja n.° 98, e no Domingo desde pela manhã na praça, no logar repectivo. Os bilhetes estarão igualmente á venda no dia do espectaculo, desde pela manhã na praça; e as 2 horas e meia da tarde, as portas da mesma estarão abertas para a corrida.
Inclitos amadores, e magnanimo publico lisbonense, o beneficiado que em nada se poupa para captivar a vossa estima e sympathia, está tão certo na vossa generosidade e grandesa de coraçao, que não vacilou um momento em tomar sobre si uma empresa que poderia julgar arriscada, se não confiasse na vossa benigna protecção visto ser esta proverbial em todos que se gloriam de pertencerem ao gremio d'uma nação, que em todas as épocas, e em todas as circumstancias conta tantos heróes, quntos são os ditosos filhos seus, e por isso repete com o maior iubilo o dizer do pricipe dos poetas lusitanos:

"Digno povo de ser no mundo eterno,
"Grande no tempo antigo, e no moderno!!!
PREÇOS OS DO COSTUME.
Perdeu-se o bilhete do camarote n.° 17, o qual será a chave entregue á pessoa a quem foi passado.

[62] E non vi è forse in questo cartellone, che noi, fratelli dei Portoghesi, possiamo intendere senza dizionario, non vi è forse tutta quanta Roma imperiale vestita coll'abito seicentista d'un hidalgo? Non vi sentite forse l'alito infuocato e sanguigno del circo romano insieme al tintinnio del giullare, l'urlo delle belve insieme al ritornello del poeta cesareo? Non avete dinanzi agli occhi vostri il quadro di una Roma portoghese?
Io non aveva mai veduto gli uomini lottar coi tori, e occasione più bella non mi si poteva offrire; e senza rimorsi poteva approfittarne, perchè nel mite Portogallo anche le corridas de touros hanno pigliato forma costituzionale e veste filantropica. I tori hanno le corna fasciate di cuoio; il matador non trucida più il suo nemico, bagnando l'arena di un lago di sangue; è proibita l'agonia, ed è pur proibito sotto pena di grossissima multa, tanto ai quadrupedi che ai bipedi, il morire dinanzi al nobre poblico e agli illustrados e benemeritos espectadores. In questi moderni spettacoli la crudeltà umana ha rosicchiati gli artigli dai veglianti regolamenti, come al toro si fasciano pietosamente le corna omicida, come con santa ipocrisia si permette la crudeltà, ma si proibisce il sangue; ferocia all'acqua di rose; tanfo sanguigno medicato dal profumiere; epoca di transizione a tempi migliori; anello inevitabile fra il passato e l'avvenire. Il tiranno non si trasforma in presidente di repubblica, se non camuffandosi prima da re costituzionale; e la rapina del feudatario diviene guerra di principi, poi guerra di popoli, poi guerra alla guerra; come l'irta frec[63]cia di selce diviene lucida lancia, poi mitragliatrice, forse più tardi macchina elettrica. Dalla ferocia alla pietà, dall'odio alla fratellanza è lungo il cammmino, e la corrida moderna de touros sta forse a metà della via.
Guardai l'orologio, e mi accorsi che lo spettacolo doveva essere già incominciato. Presi le mie gambe e a correre su per la china verso l'anfiteatro do Campo de Sant'Anna, che sta nella parte alta della città. Trafelato e sudante giunsi al circo, e con una lira acquistai il diritto di godermi anch'io le emozioni di una pietosa crudeltà.
Il teatro era vasto e disadorno; in diverse gerarchie di posti s'addensavano i rappresentanti di ogni classe sociale: i beceri, i marinai, i facchini, gli artisti e gli operai, e i gaudenti possidenti, e le autorità competenti, e per ragioni d'ufficio, in una competente tribuna, el illustrissimo e muito digna Sr. Inspector da praça, il quale, quando entra nel suo palchetto, dà il segnale che lo spettacolo incomincia.
Non mancava a rallegrar la scena uno splendido stuolo di signore belle ed eleganti; tutto un volo uccelli variopinti del tropico.
La prima parte del programma era già consumata, e ne ebbi una breve informazione dai miei vicini e dallo studio del mio cartellone in-ottavo. Già aveva fatta la sua trionfale entrata nel circo e della beneficiata, o habil e estimado cavalleiro Diogo Henriques Bittencourt, il quale, accompanhado d'un vistoso cortejo composto dos seguintes e peritos artistas, Joven Sancho, José Cadete, Vi[64]cente Roberto, seu irmão Roberto da Fonseca, Peixinho e Manuel Cadete, bem como do valente e audacioso corpo d'homens de forcado, aveva fatto com o major esmero e pericia as venias de estylo aos dignissimos espectadores, e, finita questa cerimonia, si era ritirato para se preparar para o combate.
La primeira parte dello spettacolo era in pieno corso. Una musica più rumorosa che armoniosa annunziava che un toro stava per entrare nel circo, dove due o tre capinhas, paggi eleganti e snelli, lo aspettavano con grandi pezzuole di seta gialla o rossa fra le mani. Il toro era piccolo, tarchiato, nero, troculento; pareva un grosso pezzo di carbone in cui si fossero piantate due corna, che però eran fasciate con grandi striscie di cuoio. Trovandosi in mezzo a tutta quella folla chiassosa, a quella musica, a quel pandemonio di gente che lo salutava con mormorio incomposto di risa e di insulti a mezza voce, rimaneva un istante attonito, coll'occhio fisso dinanzi a sè, e battendosi i fianchi colla robusta coda; poi si gettava a capo chino contro il primo capinha che incontrava sulla via. E il capinha fuggiva dinanzi a lui, sventolandogli dinanzi agli occhi il panno scarlatto o giallo, e irritandolo e deludendolo faceva coll'agilità guerra alla forza; colla picciolezza guerra alla massa. Era la vera guerra di Golia contro Davide. Il toro è poco agile, ma è molto forte, e la lotta di quei due elementi così diversi, o in apparenza così disuguali, teneva viva l'emozione nella turba degli spettatori e faceva battere forte il cuore anche a me. Di mezzo alla [65] massa nera nera di quel toro irato fiammeggiavano i suoi occhi, che ad ogni istante si facevan sempre più sanguigni; e col capo impotente batteva sulla sabbia del circo e la faceva volar lontano, mentre al cozzo delle sue corna fuggiva l'agile giovinetto, che con un rapidissimo salto si gettava ora a destra ed ora a sinistra, salutato dagli applausi della moltitudine. Più d'una volta il capinha si lasciava prender dal toro così vicino allo steccato, che appena gli rimaneva posto per muoversi; e il toro sbuffando lo teneva già per vinto, e se lo vedeva sbalzato in aria; e il giovinetto, immobile come una statua, quasi fosse impietrito, mostrava a un tratto la sua bandiera di sfida; e poi, quando il feroce animale aveva abbassato il capo per ferirlo, balzava al di sopra del nemico e si metteva in salvo. E i due avversarii venivano spesso così vicini l'uno all'altro da sentirsi confusi in un'atmosfera sola i due fiati sanguigni dell'uomo e dell'animale, e, dopochè era passata la procella della minaccia e della cornata all'aria, si vedevano sulle corna del toro lembi del serico panno scarlatto o giallo; unica preda contro cui s'era spuntata l'ira bestiale. Non c'era sangue per l'arena del circo; ma l'atmosfera era tutta sanguigna, perchè la vita di quei giovinetti era in continuo pericolo, e il pubblico lo sapeva e per questo godeva. Più d'una volta il povero capinha, per quanto s'affidasse all'agilità dei suoi salti, alla sicurezza del suo occhio, non vedeva aperto altro scampo che la fuga; e saltando fuori dello steccato, evitava la morte e si metteva in salvo.
Ma tutto questo non era che solletico a piaceri [66] maggiori, non era che il prologo di maggiori crudeltà. Morti non se ne volevano; ma feriti ci potevano essere; il sangue non doveva lasciar sull'arena la sua striscia fumante, ma poteva senza scandalo raggropparsi sotto la pelle ebanina di quei tori furiosi.
Ceduto il campo, i capinhas si ritiravano, e scendevano in lizza uomini robusti o giovani atleti, educati a più difficili prove. Eran questi i farpeadores, che portavano nelle due mani un farpeo, ordigno di ferro che penetra le carni e nel ferire fa uno scherzo da giullare, inghirlandando la vittima, e rendendola ridicola. Per essere buon farpeador conviene avere il cuore che non vacilli, il polso sicuro e l'occhio dell'aquila. Vedere il toro ed aspettarlo; spiarne col batter dei polsi i minimi movimenti, vederlo chinare il capo per balzarvi nell'aria, sentire il fiato caldo che vi innonda la faccia e non tremare; tenere l'occhio basso per seguire il capo del toro gigante che si abbassa: e là in un lampo della coscienza, in mezzo a quelle tenebre muscolari confrontare rapidamente il vostro nulla, la vostra piccolezza con quel tutto di forza, con quel gigante di carni; e lì per lì, quando le corna devono entrare in voi e sopra voi, incrociare le braccia e ferir nel capo o nel dorso quella belva coi due dardi; e balzar lontano, lasciandola sola colla sua rabbia; sola a dare le corna contro lo steccato o contro l'arena. E allora è il trionfo; perchè il farpeo penetrato nelle carni, per virtù di molle ascose fa balzar fuori dieci o dodici nastri lunghissimi d'ogni colore, che fiamnieggiano e sven[67]tolano intorno al capo, al dorso, alle membra di quel gigante irato e spumante d'ira. Un urrà di applausi e una suonata della banda saluta il fortunato farpeador, irritando sempre più il toro, che, mugghiando e balzando furente per l'arena, sfoga nell'aria e nella sabbia la sua ira impotente.
Davvero che il farpeo è l'immagine più fedele della calunnia che ferisce e avvelena la ferita, che ha il sangue e il veleno, che coll'offesa innesta il ridicolo, peggiore dell'offesa. Quanto è ingegnoso il cuore umano nel ferire e nell'avvelenare! Egli incorona di nastri il farpeo del toro, così come offende l'uomo che gli è avversario e invita il pubblico a ridere di lui. Quanti farpeos getta l'uomo nella vita privata, quanti ne getta, foderando la mano pietosa coi guanti! Le crudeltà del circo in una tourada non sono le più sanguigne.
Dopo un farpeador ne viene un secondo, e trovando il suo nemico più irato, incontra maggiori ostacoli, più gravi pericoli. Eppure si riesce ad innestare nella sua carne fin quattro o cinque dardi, e ognuno di essi sventola le sue lunghissime e crudelissime banderuole di nastri.
Non sempre però il farpeador riusciva nel suo intento, e allora saltava al di là dello steccato per mettersi in salvo. E due volte in quel giorno il toro, inseguendo il nemico, saltava anch'esso dietro all'uomo nello stesso steccato, che era un corritojo stretto stretto, che separava il circo dagli spettatori. E questi erano allora tutti in piedi a gridare e guardare, e giù si vedeva una massa nera che, girando in quell'angusto cerchio, correva dietro ad un [68] piccolo nugolo di polvere che fuggiva, ed era l'uomo. E pochi minuti dopo uomo e toro spinti per una porticina segreta erano di nuovo sull'arena a battersi e a divertire il pubblico pietoso.
Quando un toro era al colmo del furore, quando coperto di sudore luccicava qua e là come una statua antica di bronzo bagnata dai raggi del sole, entravano sei o sette tori educati e cortesi, con una campana al collo, che suonava con una specie di funebre tintinnio, e dietro ad essi uno o due uomini armati di lunghe pertiche. E la vittima e i tori educati e gli uomini e le pertiche dei farpeadores facevano un giro intorno e, salutando la turba degli spettatori, escivano tutti quanti mormorando e muggendo il plaudite cives. Un walzer o una polka riposava il pubblico dalle emozioni e mentre si andavano commentando i crudeli incidenti della lotta, le stalle sotterranee vomitavano nell'arena un nuovo pezzo di carbone con nuove corna fasciate; e nuove e svariate emozioni vellicavano i nervi romani di quelle turbe portoghesi.
Il pubblico però aspettava con trepida ansia e con caldissima curiosità la parte più nuova e più brillante dello spettacolo. Il celleberrimo Galamba, o destimido heroe de longas pernas, inventôr das exquesitas gambadas doveva montare un toro munito di sella e sopra di esso, tenendosi sol per le gambe, doveva slanciarsi contro un altro toro a farpearlo. Il cartellone diceva, che se Giove avea montato un toro per rapire la bella Europa, ed era stato felice nella sua impresa, il celleberrimo Galamba, che non aveva intenzione di rapire alcuno, era per[69]suaso di riuscire nel suo intento glorioso; tanto più, come diceva il cartellone, perchè, se egli non era un eroe a prova di bomba, era però un homem de grandes rufos que tem levado dados pelos embravecidos bichos.
E il toro entrò sellato sulla scena ed ebbe il suo tributo di tre o quattro farpeos, e quando fu al colmo dell'ira e del dolore, entrò anche il celeberrimo Galamba, che doveva montarlo e farsene un cavallo per assalire un altro toro. La turba. variopinta degli spettatori, già riscaldata da tante scene crudeli, era al colmo del parossismo; eppure sapeva tacere, e in un silenzio mortale sapeva comprimere tutta l'ansia dei suoi desiderii crudeli. Un toro furente e sellato, un uomo pallido e senz'armi; un mare d'uomini e di donne che con cuore contratto aspettano una nuova e più sanguigna voluttà e che tengon sospesi i loro mille occhi su quel toro e su quell'uomo: ecco la scena che io m'aveva dinanzi.
Il celleberrimo Galamba si gettò d'un salto su quel toro e su quella sella, ma fu slanciato, come un fuscello di paglia, nella polvere; e di nuovo, come se nulla fosse, corse all'assalto: ma questa volta neppure potè toccare la sella, che le corna e le gambe di quel mostro indiavolato tiravano cozzi e calci da infrangere un uomo di bronzo. Nei primi tentativi il pubblico fu indulgente e si accontentò di mormorare sommessamente; ma appena potè persuadersi che l'uomo non vincerebbe il toro, la lava dell'indignazione andò montando rapida e furente fino al cratere; poi dilagò, scoppiò, eruppe; divenne [70] grandine infuocata di lapilli e salva di detonazioni. Prima esclamazioni, poi grida, poi urli feroci, poi un pandemonio di bestemmie, una burrasca tremenda, infernale; uno scatenarsi di odii crudeli attraverso alla bocca di mille e mille spettatori, tutti alzati dai loro sedili, tutti commossi dall'ira; sudati, gesticolanti. E da quelle braccia furenti eran scagliati spessi come i proiettili in una battaglia, patate, rape, torsi di cavolo, che non so da dove traessero quei pietosi spettatori. E tutto era diretto contro il celeberrimo Galamba; e più tremende dei proiettili erano le salve di bestemmie, che quel popolo scatenato e orrendo a vedersi scagliava contro quel povero uomo, che non aveva saputo montare un toro, come nel programma era scritto. Io non intendeva che alcune di quelle bestemmie, ma fra tutti i gridi campeggiava quello di foras, foras, foras; ma era un grido così selvaggio e violento e ripetuto da tante e tante bocche che faceva paura. Io aveva vicino a me un uomo che urlava con tanta forza, ch'io davvero credeva di vederlo cadere dinanzi ai miei occhi per apoplessia.
Io era avvilito e commosso; avvilito di vedermi uomo fra quegli uomini, e di dovermi sentire al disotto di quel toro; dacchè doveva pur prendere la mia parte di fratellanza umana in quella scena, la mia parte di fratellanza latina. Era avvilito di essere membro anch'io vivo e palpitante di quella turba umana, ma così bestiale; di quella massa umana, ma così crudelmente e brutalmente inferocita. Ed era commosso dal tumulto che mi schiantava le orecchie, che mi scuoteva le fibre più sensibili del [71] cuore e se non nell'atto, almeno in potenza, in quel caldo sanguigno dall'atmosfera che mi stava intorno sentiva l'urlo dei gladiatori romani e vedeva le membra dilaniate dei martiri nel Colosseo e misurava coll'occhio quanta belva divenga l'uomo, quando il soffio del sangue incalza cento, mille uomini una volta sola. Quanta quantità di tigre vi ha in mille uomini, che in una volta sola e in un sol grido domandano al circo del sangue! Quanti artigli di leone, quanti denti di sciacallo, quanta bava di crotalo, quanta ferocia di pesce-cane, quanta sete di patibolo mugghia e fischia e freme nell'onda umana di un popolo, che domanda al teatro del sangue!
Io guardava tremando alle signore: le avrei voluto veder piangere o svenire; e invece guardavano com'io guardava, ma non tremando; e invece ridevano e invece si facevano fresca auretta ai loro bei volti, con quella grazia che sole possiedono nel muovere il ventaglio le señoritas di Spagna e di Portogallo.
Molti soldati scesero nell'arena col fucile e, arrestando il celleberrimo Galamba, lo salvarono dalla furia popolare; dicendo che sarebbe tradotto in carcere, perchè non aveva saputo mantenere la sua promessa. Ma ciò non bastò a calmare quelle fiere: i più violenti volevano che lo spettacolo fosse interrotto e fossero restituiti i denari dei biglietti; e vedendo che il loro desiderio non era soddisfatto, e si pensava a continuare l'esecuzione del programma, si diedero a lanciare pietre contro i lampioni del teatro, rompendone tutti i vetri; e alla musica infer[72]nale di quella scena si aggiunse, nota strillante, il rompersi di cento cristalli. E poi ad escire dal teatro, urlando con voci stracche dal tanto gridare, lasciando vuote intiere file di scanni. - Il teatro rimase quasi deserto.
Appena l'onda di popolo cominciò ad escire, interrompendo colla sua fuga lo spettacolo, il povero Galamba fuggito ai soldati entrò nel circo pallido, coi capelli irti e le vesti lacere, e mettendosi dinanzi al toro, che attonito era rimasto al suo posto in mezzo a tanto pandemonio, si offerse vittima espiatrice del furore popolare. E il toro obbedì al desiderio del povero Galamba e colle corna lo investì e lo gettò alto nell'aria, correndo a calpestarlo coi piedi. Gettai un grido, perchè credetti che quell'uomo fosse morto; ma i miei vicini risero di me, dicendomi che era quella una farsa e che il celleberrimo Galamba non era che svenuto. A me pareva se non morto, ridotto a ben povera massa di carni contuse, perchè lo vidi portar come morto da due capinhas.
Intanto i gridi continuavano più urlanti, più feroci che mai: Foras, foras, foras! Neppure l'espiazione di Galamba poteva domar quelle fiere: esse non potevano perdonare a chi avea strappato ai loro artigli la più bella, la più cara delle emozioni che essi si erano promesso in quel giorno di gioia. Alla festa mancava la più splendida gemma, l'espressione più estetica della ferocia pietosa; l'uomo che montato su un toro attacca un toro; e l'estetica guastata dilagava per ogni lato, trasformandosi nell'urlo di chi ha sete e non può bere; [73] nel grido feroce del tigre a cui sfugge la preda, non lasciando fra i denti che un pugno di peli.
Quanta parte di storia umana in quello spettacolo, quanto odio non si agitava in quell'aria di color sanguigno!